sexta-feira, 6 de maio de 2011

Curso estimula o olhar crítico e estético para obras coreográficas produzidas no Nordeste brasileiro

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FORTALEZA, Assessoria CCBBNB, 04.05.2011

O artista, pesquisador e crítico de dança Joubert Arrais ministrará o curso “Coreografias nordestinas – obras e contextos”, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108), no período de 10 a 13 deste mês (de terça a sexta-feira da próxima semana), de 14 horas às 17 horas.

Gratuitas, as inscrições estão abertas até o dia 10, na recepção do CCBNB-Fortaleza (de terça-feira a sábado, de 10h às 20h; e no domingo, de 10h às 18h). Ao todo, são 80 vagas disponíveis.

O objetivo do curso é estimular o olhar crítico e estético para obras coreográficas produzidas no contexto do Nordeste brasileiro. No decorrer do curso, Joubert Arrais compartilhará com o grupo de alunos a sua pesquisa intitulada “Coreografias nordestinas – algumas escritas estéticas e críticas sobre a contemporaneidade de uma produção artística de dança no Nordeste”, desenvolvida em 2008 e 2009, com o apoio da Fundação Nacional das Artes – Funarte/MinC.

FOTOMONTAGEM: PAULO AMOREIRA / DIMENTI / BRENO CÉSAR / FRAME VIDEO
Metodologia

Segundo Joubert Arrais, o curso será ministrado em dois momentos diários: “apreciação de obras” e “estudo crítico”. No primeiro momento, serão utilizados recursos como projeção de vídeos para a apreciação das obras. No segundo, terá início o estudo crítico com uma breve conversa sobre a obra em questão, para perceber as primeiras impressões, enfatizando aquilo que foi visto e o que comunicou (o produto artístico).

Na sequência, haverá uma conversa sobre como a obra foi desenvolvida e o que outras possibilidades emergem da obra (o processo de criação), com informações mais detalhadas. Ao final de cada um dos quatro dias do curso, todos os participantes, na medida do possível, serão convidados a fazer leitura pública do texto ou comentário escrito, inclusive o ministrante, com textos seus e de outros críticos/jornalistas sobre as obras em apreciação, que foram publicados na imprensa e na internet.

Conteúdo do curso

Cada dança contemporânea tem uma singularidade pelo que discute como questão e pelo modo como se relaciona com o tempo presente. Uma obra artística é, pois, um fato. Uma vez produzida, apresentada, tornada pública, é algo irrevogável, cuja factualidade demarca um tempo. É, portanto, um acontecimento. Nesse movimento, a dança como coreografia está conectada a uma história não apenas de nomes próprios, nem de mera sequência de passos, tampouco trajetória linear e fixa. Trata-se de uma história dinâmica de confrontos e continuidades, segundo uma visão sistêmica do que se faz, do que se pensa, o que se pode e do que se deseja com dança.

São essas as questões que atravessam o curso de apreciação de arte “Coreografias nordestinas – obras e contextos”. O curso está alicerçado numa investigação sobre dança contemporânea na região do Nordeste brasileiro, realizada com apoio da Funarte/MinC, e atualmente em caráter independente, inscrevendo-se como produção crítica em dança. Para tanto, estrutura-se em torno da mesma questão: qual a contemporaneidade de uma dança contemporânea num contexto tido comumente como regional?

Durante o curso, serão analisadas quatro obras coreográficas: “Os tempos”, da Cia. de Arte Andanças (Fortaleza – CE, 2008); “Corpo-massa: pele e ossos”, da Cia. Etc. (Recife – PE, 2007); “O poste, a mulher e o bambu”, do Grupo Dimenti (Salvador – BA, 2006); e “Bull dancing – urro de omi boi”, de Evelin/Demolition Inc. (Teresina – PI, Amsterdan/Holanda, 2006).

As quatro obras são configurações de dança onde há cumplicidade dos processos de criação com as possibilidades de existência artística, através de políticas de apoio e outros modos de organização cênica e artística. São sintomáticos.

“Os tempos” fala dos afetos que emergem das possibilidades de encontro e do estar juntos. “Corpo-massa: pele e ossos” questiona o estatuto estético do corpo humano na busca por outros modos de se organizar politicamente. “O poste, a mulher e o bambu” faz do riso irônico a estratégia cênica para desestabilizar identidades midiáticas. “Bull dancing – urro de omi boi” discute a violência e o estrangeiro a partir da Dança do Boi.

Breve currículo

Joubert Arrais é artista pesquisador e crítico de dança. Mestre em Dança (PPGDanca/UFBA) e bacharel em Comunicação Social/Jornalismo (UFC), com formação artística pelo Centro Em Movimento – c.e.m. (Lisboa/Portugal). Escreve na imprensa cearense desde 2003 (O POVO e Diário do Nordeste). Foi bolsista de Produção Crítica em Dança 2008/2009 (FUNARTE/MinC). Em 2008, participou do II Workshop para Jovens Críticos (Transdisciplinary European Arts Magazines - TEAM Network & Alkantara Festival/Portugal). Atualmente coordena o comitê temático Produção de Discurso Crítico sobre Dança, da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança - ANDA (Gestão 2011/2012).
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quinta-feira, 28 de abril de 2011

SÓ PODEMOS DANÇAR SE ESTIVERMOS EM MOVIMENTO - um manifesto para outros manifestos

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Assim como este manifesto, para este dia 29 de abril de 2011, Dia Internacional da Dança, a capital Fortaleza e o estado do Ceará estão diferentes.

Isso porque a dança cearense não é mesmo só a capital, digamos bem o que está acontecendo em Itapipoca, Paracuru, Juazeiro do Norte, Trairi, já há um bom tempo.

Precisamos urgentemente convocar para nossas danças aquilo que nos afeta no mundo.

O individuo se institucionalizou, deixou-se institucionalizar. Já não tem voz própria, é isso mesmo?

Cadê então o sangue correndo nas veias, os ossos batendo no chão, os músculos se contraindo no correr, os neurônios se conectando para vibrar pensamentos, cadê, cadê, cadê, sentimos isso nas nossas danças?

Mais ou menos assim, eu quero fazer dança, mas não sei como, mesmo assim vou resistir, não posso desistir, até posso, então tento mais um pouco, algo diferente, mas não tanto, ou mesmo igual, ver no que dá, deu certo, mas não tanto e continuo, permaneço ...

Mas e ai, eu quero mesmo fazer dança? O que a dança tem feito de mim e por mim? O que eu tenho feito pela dança?

Pois de muitas e tantas perguntas que soam conceituais, uma nos faz sentir diferente, se falada em tom cadenciado e olho no olho: o que a dança representa para tua vida?????

Devemos, então, inibir as expectativas para expandir e não desperdiçar a experiência.

Percebo-me? Percebo o que está invisível à minha volta?

Temos editais e cursos de formação, porém, precisamos refletir mais sobre criação artística, suas sutilezas e reverberações nas obras e ações de dança.

Há muito o que se fazer. Ler mais, escrever mais, conversar mais sim, isso temos que fazer, pois idéias, assim como pessoas, também morrem se nelas não há movimento ou não se põe em movimento.

Precisamos convocar para as nossas danças questões realmente pertinentes para outros sensos comuns sobre o corpo dançante e sobre a vida.

Pois, de fato, só conseguimos levantar (boas) hipóteses, como a de parar, continuar, resistir, insistir, tentar, revoltar-se, subverter, comprometer-se, recomeçar, pulsar, desfazer, espreitar, resignar-se, revolver, profanar ..., se estivermos em movimento.

Nossas danças contemporâneas ora conseguem evidenciar outros modos de lidar com o corpo dançante, ora esse corpo que dança parece preso ao espetacular ou pré-fabricado.

E ai? E nossa dança, como está, como estás? E nós na nossa dança, como estamos?
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