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MOÇÃO No- 25, DE 23 DE JUNHO DE 2010
Moção de Apoio à Câmara Setorial de Dança pelo cumprimento da Recomendação nº 01/2005, que aconselha a todas as instâncias públicas ou privadas, em todas as esferas da Federação, que evitem o uso da nomenclatura ARTES CÊNICAS como expressão generalizadora de áreas distintas como Teatro, Dança, Circo e Ópera.
O CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CULTURAL – CNPC, reunido em Sessão Ordinária, nos dias 22 e 23 de junho de 2010, e no uso das competências que lhe são conferidas pelo Decreto nº 5.520, de 24 de agosto de 2005, alterado pelo Decreto nº 6.973/2009, tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 28, de 19 de março de 2010, e:
- Considerando que a Dança é uma linguagem artística autônoma no campo do conhecimento;
- Considerando a importância da Dança como forma de expressão artística cultural no Brasil;
- Considerando que, segundo dados do IBGE, a Dança é a segunda atividade artística mais disseminada no território, sendo que cinquenta e seis por cento dos municípios brasileiros abrigam grupos de dança;
- Considerando que o ensino da Dança tem suas próprias Diretrizes Curriculares organizadas pelo Ministério da Educação – MEC e pertence a área de ARTES; e
- Considerando a necessidade de alteração da legislação vigente para a adequação necessária de maneira a assegurar e fortalecer os direitos e deveres dos artistas da dança afim de que possam empenhar, efetivamente, suas atividades de forma coerente com suas especificidades; ...
Manifesta seu total e irrestrito apoio ao cumprimento da Recomendação nº 01/2005, da Câmara Setorial de Dança, que aconselha a todas as instâncias públicas ou privadas, em todas as esferas da Federação, que evitem o uso da nomenclatura ARTES CÊNICAS como expressão generalizadora de áreas distintas como Circo, Dança, Ópera e Teatro.
JOÃO LUIZ SILVA FERREIRA
Presidente do Conselho
GUSTAVO VIDIGAL
Secretário-Geral
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
A potência do corpo(-nômade)
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A partir de movimentos simples, a coreógrafa Marina Carleial mostra a potência de uma corporeidade dançante em Compartir. O espetáculo encerra temporada hoje no Quinta com Dança, no Teatro Dragão do Mar
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A partir de movimentos simples, a coreógrafa Marina Carleial mostra a potência de uma corporeidade dançante em Compartir. O espetáculo encerra temporada hoje no Quinta com Dança, no Teatro Dragão do Mar
O agenciar dançante na obra Compartir, da coreógrafa Marina Carleial, é potente de desejos certeiros e ações em processo. Os gestos são delicados e lembram uma rosa-dos-ventos. Não é mera analogia, mas sim um corpo feito bússola (des)norteando-se pela experiência do deslocamento. O ser nômade que, segundo o filósofo Peter Pál Perbart, evidencia territórios subjetivos onde os vínculos são móveis. Como perceber isso no corpo que dança, sem se deixar “engolir” pela sonoplastia ao vivo presente na obra com a DJ Inge Pessoa e o instrumentista Rodrigo de Oliveira?
A questão não é apenas de uma música para ser dançada, nem somente de uma dança para ser musicada. Pois, no corpo-nômade de Marina, os movimentos são simples e é nessa simplicidade que está a potência de uma corporeidade dançante do ser cearense errante de uma bailarina-criadora. É que os lugares passam a habitar nossos corpos e com eles os agenciamentos acontecem, outras conexões são criadas com o mundo. É confronto, encontro, desencontro, parecenças, distinções, fagulhas. O sensível faz-se movimento como a vida.
Como uma pulsação musical, ou mesmo uma cartografia de gestos, Marina vai transformando as partes do seu corpo em vetores e direções: norte, sul, leste, oeste. É como acontece na lógica de uma rosa-dos-ventos e seus interstícios. São os entres que mostram mapas, apontam deslocamentos e insinuam desvios do corpo na cena por onde navega o olhar do público. E, assim, o corpo dançante passar a ser (e, de fato, é) um acontecimento de acontecimentos. Mas onde tudo isso (nos) (a) escapa, se há beleza no palco, uma sensação de cosmopolitismo?
Em boa parte da apresentação do último dia 1°, a música não permitiu tanto a dança ser dança no e pelo corpo. É necessário, então, levarmos em conta que foi a estréia e, principalmente, admitir que a música desenvolve energias atrativas muitos fortes. Se em Compartir, a dança se deixa obscurecer pela música, definida como “sonoplastia”, onde é que a dança se permite e é permitida ser dança? Indo mais fundo, o que vem a ser “fazer o som” em uma proposta de dança contemporânea? Por que não radicalizar no sentido de uma ambiência sonora, até mesmo apostar numa co-criação que reconfigure, por exemplo, os elementos sonoros nordestinos utilizados na composição ao vivo?
Com apoio da Secretária de Cultura do Estado do Ceará, a temporada finda hoje e, certamente, algumas das questões acima levantadas ganhem outro movimento crítico, já que a obra vislumbra um bom caminho pela frente. Caminho este que Marina vem percorrendo na história recente da dança contemporânea no Ceará, desde o Colégio de Dança (1999-2002); e ainda, com os espetáculos Música para Rosas (2003, em parceria com Janahina Santos) e Limites (2004), ambos também estreados no Projeto Quinta com Dança, merecidamente.
Texto originalmente publicado no caderno Vida & Arte, do Jornal O POVO, disponível no link A potência do corpo.
Texto originalmente publicado no caderno Vida & Arte, do Jornal O POVO, disponível no link A potência do corpo.
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