sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bailarina epilética vai induzir ataque no palco:
arte ou excentricidade?



O Arts Council pagou a uma bailarina epiléptica 13.889 mil libras - cerca de 15 mil euros, cerca de 40 mil reais - para que ela suspendesse a sua medicação e tivesse um ataque em cena. O espectáculo tem em vista o estudo dos “interfaces físicos entre a dança, o movimento e a epilepsia”


Segundo o diário britânico “The Times”, a actuação de 24 horas de Rita Marcalo, que implica que a bailarina fique sem dormir durante esse tempo, tem em vista o estudo dos “interfaces físicos entre a dança, o movimento e a epilepsia”.

As organizações de apoio à epilepsia disseram que o acontecimento torna uma condição de saúde mal-entendida num espectáculo excêntrico e alertou para os potenciais perigos de parar com a medicação para o tratamento da epilepsia.

Marcalo referiu que queria aumentar a consciencialização da epilepsia como uma “doença invisível” e que usará a actuação do próximo mês, apenas para adultos, no teatro The Bradford Playhouse, em Inglaterra, para explorar a sua “outra identidade como pessoa doente”.

A bailarina, directora artística da companhia de dança Instant Dissidence, com sede na cidade inglesa de Leeds, é epiléptica desde os 17 anos. Marcalo deixou de tomar os seus medicamentos na semana passada e por 24 horas, a partir da uma da manhã do dia 11 de Dezembro, os espectadores poderão ver as suas tentativas de ter um ataque em palco.

Assim, haverá o recurso, no espectáculo, a luzes estroboscópicas, programas informáticos específicos, a bailarina terá de fazer jejum, privar-se de dormir, tomar estimulantes da actividade cerebral, como o álcool e o tabaco, e será elevada, artificialmente, a sua temperatura corporal.

As actuações de outros artistas, em termos de dança e de instalações, entreterão os espectadores enquanto esperam que Marcalo tenha um ataque epiléptico.

O Playhouse diz, “num determinado momento da actuação, Marcalo poderá sofrer um ataque epiléptico. Quando este ocorrer, soará um alarme, as luzes aumentarão de intensidade, a música parará e uma série de câmaras gravará o ataque. Os espectadores serão encorajados a gravar essas imagens nos seus telemóveis”.

O Arts Council England justificou a sua decisão de pagar a Marcalo para a realização deste espectáculo afirmando que ela é uma “artista importante cujo trabalho merece ser visto”. Um porta-voz disse que esta organização, dedicada às artes, tinha tido um conselho médico e que o “apoio médico apropriado” estava disponível.

Sallie Baxendale, neuropsicóloga na National Society for Epilepsy, disse que “o ponto positivo é que as pessoas vão falar mais da epilepsia, mas o negativo é que esta doença irá ser apresentada num espectáculo excêntrico em vez de ensinar as pessoas sobre as convulsões epilépticas.

“O perigo de parar de tomar a medicação é equivalente, por vezes, àquele quando se está num nível em que não se controlam as convulsões. Joga-se com a medicação para próprio perigo da pessoa”.

Fonte: www.publico.clix.pt (20/11/2009)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um jovem crítico de dança brasileiro...

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Um jovem crítico de dança brasileiro.
Um jovem crítico de dança.
Um jovem crítico.

Uma mudança dialética.

Uma jovem crítica de dança brasileira.
Uma jovem crítica de dança.
Uma jovem crítica.

Outras danças, tantas danças.
Algumas críticas, muitos devires.

Pois sim, este blog nasceu num contexto de jovens críticos, enquanto artistas e críticos pensadores das artes performativas em maio e junho de 2008, em Lisboa, no Alkantara Festival, em Lisboa.

Do nomeado "workshop para jovens críticos", veio a inspiração. Jovem crítico como uma função que não é estanque e se renova a cada relação reflexiva. Diferente de um crítico jovem, o que está presente, de alguma forma. No entanto, parece, pareceu-me, tem me parecido que esta última supera a primeira, principalmente quando ainda se tem o entendimento negativo de crítica como um juizo de valor que coloca dança e crítica em pólos opostos.

Por pensar diferente e resistir nesse pensar, vejo dança e crítica como coisas distintas que se alimentam mutuamente em suas especificidades. Nesse sentido, venho construindo minha atuação especificamente na dança e a partir da dança. E ainda, por pensar assim, sentia já há algum tempo a necessidade de mudar o nome desse espaço de potências, quando se vê, a cada dia, o pouco espaço nos jornais para a crítica especializada, o que se transforma em desafio para a própria critica de ocupar outros espaços de modos também diferentes.

Daí decidi mudar o nome do blog para "enquantodanças", mais livre de associações que enfraquecem e mais aberto para ser dança de muitos e tantos modos.

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