domingo, 12 de outubro de 2008

Partilhas críticas




Um breve intervalo de alguns meses. Tempo de ruminar idéias e reavaliar expectativas.

De volta agora, pretendo tranformar este blog num espaço de vazão, um lugar de partilhas críticas, não no sentido de apartar, mas, como argumenta o filosófo Jacques Rancière, de uma ação que deseja comugar sensibilidades.

Talvez escreva sobre algum espetáculo, talvez escreva sobre alguma ação que permeie a dança e que dela emerge alguma investigação tanto artistica como científica, na perspectiva de um revezamento permanente entre teoria e prática. Algo que não é fixo, mas que tem como pressuposto básico de que o exercicio crítico é uma "síntese transitória de relações circunstanciais" (Fabiana Britto, 2007).

Justamente por acreditar que a crítica especializada de dança não se restringe ao que sai ou não no jornal impresso, mas de uma tentativa de encontrar outros formatos e modos para uma atuação mais ética e política, longe de apenas uma questão de gosto pessoal.

Esforço que é coletivo e que almeja construirmos outras relações com o mundo em que vivemos e que dele sómos cúmplices.

domingo, 8 de junho de 2008

Objetividades subjetivas da crítica
(ou seria subjetividades objetivas?)



Como pensar uma objetividade para a crítica, considerando o seu caráter subjetivo?

De outro modo, como a crítica pode, de fato, contribuir para a produção de saberes quando ainda persiste a questão do gosto pessoas, mesmo com todos os cuidados?

No workshop, isso ficou nítido nas sutilezas.

Os críticos profissionais, quero dizer, os que estão vinculados a um jornal ou revista, o que não é o meu caso, pois sim, tais críticos tendem a ser mais seguros (self confident) sobre suas "opiniões", talvez uma sensação de segurança por conta de estarem representando um veículo.

Tem ainda os artistas que discutiam e interrogavam sabiamente coisas como o que é dito pelo crítico não está na obra ou que o crítico não conseguiu entender nada, aí "cria" um discurso qualquer que legitime.

Tem ainda os críticos-artistas, cada um com um nível de atuação específico, que se colocavam no entre, de tentar argumentar a partir de suas experiências de deslocamento entre ambas atuações.

Nesse embate, que prefiro entender como confronto de diálogos, alguma questões foram colocadas e servem para futuros diagnósticos e diálogos:

- O crítico é a pessoa mais habilitada para compreender o trabalho do artista. Já o próprio artista não.
- A crítica fala de coisas que não estão na obra, mas ao falar isso, tais coisas passam a pertencer ao olhar do leitor e, de alguma forma, à propria obra.
- A crítica tem pouco espaço nos jornais e revistas impressos, sendo a internet a grande saída para essa suposta crise do exercicio crítico.
- A internet, no entanto, tem suas limitações pois é também um extremo, o de ter muito espaço no qual a interatividade, geralmente, só dura algumas horas ou dias.
- O trabalho do crítico e do programador se confundem, tendo o programador, muitas vezes, mais habilidades de legitimação de suas escolhas.
- Os festivais seguem a mesma lógica da nossa sociedade capitalista: muitos espetáculos e muitas novidades, sendo impossivel desacelerar a rotina, nem desestabilizar as expectativas.

Há ainda outros aspectos que, a partir desses, irem logo mais pontuar, questionar.

PS: Que (pre)potências tem a crítica?